quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Minha alegria é triste


Tenho descoberto um mundo sem você e, quer saber? Ele continua tão sem graça como era antes de você estar na minha vida. “É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe, pois sem você meu mundo é diferente, minha alegria é triste”.
Pergunto-me se é por isso que chove tanto ultimamente... O sol brilhava mais intensamente vendo aquele par de apaixonados que éramos. Hoje os anjos, vendo do céu a distancia incalculável entre nós, choram sem parar. Talvez seja um castigo pela minha culpa essa chuva, esse frio do qual tantas vezes você me aqueceu, só para aguçar a dor da saudade que vive em mim.
Eu poderia dar nome a essa saudade, de tão intima que ela se fez. Convive comigo diariamente, hora após hora, segundo após segundo. Enquanto respiro ela está aqui, fazendo que eu lembre do que não tenho mais. É ela quem esta preenchendo o vazio deixado por você. E são as lembranças que me alimentam e me encorajam a enfrentar esses dias tão cheios da sua ausência. As nossas músicas, as nossas conversas, os nossos encontros, os nossos beijos e abraços e, principalmente, o seu olhar para mim. Sim... era melhor com você. Ah... era muito melhor com você! Qualquer lugar era lindo porque era nosso. Todas as músicas eram feitas para cantar nosso amor. Todos os planos e sonhos também eram seus. Eu só conseguia querer um amanhã porque teria você comigo.
“Não sei por que razão tudo mudou assim.” Mas, honestamente, penso que as coisas não mudaram tanto. Qualquer lugar ainda insiste em ser nosso, só não são tão bonitos. “Ficaram as canções e você não ficou”, mas elas continuam cantando o nosso amor que, mesmo sem ser vivido, ainda em mim existe. E nossos planos e sonhos ainda existem, só não são mais nossos. São meus ou são seus. Meus planos eu deixei adormecidos, trancados em algum lugar cuja chave pertence a você. E meus sonhos? Bom, já não sonho mais acordada. Mas quando eu durmo, mesmo que eu não queira, você está neles. “Tanta coisa que somente entre nós dois ficou... Eu acho que você já nem se lembra mais”
“E agora eu choro só sem ter você aqui”

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Último primeiro beijo (Primeiro último beijo)



Lembro-me de todos os primeiros.
Todas as vezes em que chegamos quase lá e... paramos no meio do caminho.
Lembro-me de quando chegamos lá. Tinha aquele gostinho proibido...
Lembro daqueles em jardins, em parques, praças, carros. Aqueles que se misturavam com a chuva, ou se aqueciam com o sol.
Lembro-me daqueles planejados e dos espontâneos. Alguns acompanhados de lágrimas, outros de risos. Alguns cheios de dor por repetidas despedidas, outros já nem se convenciam e sabiam que logo seriam doces retornos.
Lembro-me daquele, no meio da noite... meio misturado com meus sonhos.
Foram tantos, reais e imaginados. Tão perfeitos que não pareciam legítimos. Tão bons que minha fantasia não poderia alcançar.
Lembro-me de todos os primeiros. Aqueles que, como toda primeira vez, causaram ansiedade, borboletas no estômago, palpitação, mãos suadas e certo medo. Lembro das sensações causadas pelos lugares, pelas situações e por você.

E, em meio a tantas lembranças, eu busco uma que não encontro. E me pergunto se é porque não aconteceu ou se é porque foi mais um tão ansioso quanto os primeiros.

E, em meio a tantas lembranças, eu me questiono. Pela primeira vez tivemos um verdadeiramente último? As vezes sinto que este último ainda espera o próximo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quando te abracei



Não era só um abraço. Era eu, minha vida, meu universo, minha saudade, minhas dúvidas e certezas. Era tudo de mim, bom e ruim, mas era eu. Todas as minhas faces, todas as minhas máscaras, meu eu externo e meu eu interno e ainda aquele eu tão interiormente profundo, escondido e trancado. Era eu, nas suas mãos, nos seus braços, no seu corpo, querendo novamente entrar no seu universo, no seu íntimo, querendo fundir minha alma na sua.
Suas mãos já me despiram, ansiosamente. Já conheceram minha textura, minha temperatura. Já me exploraram e me desvendaram. Mas nada me deixa tão despida como seu abraço, quando eu e tudo o que há em mim queremos desesperadamente ser seus.
Quando eu te abracei eu descobri meu nome, meu endereço e essa coisa que há mim e não tem denominação. Essa coisa é o que sou. Ou o que fui enquanto seus braços puderam me cercar.
Tão calmamente seu abraço me vestia e me descobria. Tão contrariamente eu me perdia onde melhor me encontrava. E tudo o que eu e todas as partes de mim que você expôs queríamos era vestir-nos com a sua pele, com a sua afabilidade calorosa, com seu perfume indescritivelmente seu.
Não era só um abraço. Era o lugar em que me sentia mais exposta e mais segura. Era toda a minha fragilidade publicada, revelada, divulgada. Era como eu amava estar com você, despida. Seu abraço aceitava todos os meus defeitos, e parecia até amá-los. Era meu território, meu cais, minha proteção, meu amparo. Eu poderia viver ali, no aconchego do seu corpo. Era como eu melhor te sentia.
Mas quando eu te abracei eu queria mais que o abraço. Queria fechar os olhos e sentir seu rosto no meu. Provar suavemente sua pele com meus lábios até sentir o gosto do seu beijo novamente.... Queria mais. Certamente muito mais que isso. Não era só um abraço. Era eu, totalmente entregue, de todo o corpo e muita alma, àqueles braços.
E quando estávamos ali, perdidas em você, eu e todas as minhas faces, e notávamos seu abraço afrouxando minha cintura, alertando a dispensa, sentíamos a dor da despedida, que diante do tempo em que estaríamos distantes, não a amenizaria em nada o sofrimento.
Não era só um (des)abraço. Era uma queda longa e dolorosa. Quando toda a minha vida se perdeu em você, você me largou. Seu alerta foi tão rápido que mal pude me recompor. Todos os meus eus foram ao chão. Alguns levantaram, se refizeram, vestiram a máscara novamente. Outros, sem suas mãos, ainda rastejam pelo chão. Tão cedo não terão novos ânimos para caminhar comigo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Hoje é dia de você



Maldita primavera que me fere dia após dia, tatuando seu nome e sua saudade em mim.

Hoje é como aqueles dias em que estivemos juntos. Um pouco nublado, um pouco ensolarado. Alguns chuviscos vez ou outra. 
Mas alguma nuvem cobriu meu céu, tapou meu sol e fez com que todas as horas do dia fossem sempre tarde demais. Não fosse assim, certamente, agora eu estaria deitada em teu colo em um banco de praça em uma dessas quadras do avião. Os pássaros falariam mais alto que nós, morrendo de inveja dos nossos beijos. O vento úmido da primavera espalharia nosso amor e faria florescer mais flores de pólen doce, afrodisíaco para os inocentes beija-flores. E nós dois caminharíamos de mão dadas, por onde quer que fosse, e conversaríamos por eternas breves horas sobre formigas, crianças, estrelas, lugares, máquinas, livros e infinito. Eu entraria no seu universo, afinal, só eu teria a chave, e lá dentro me transformaria. Te transformaria, deixando boa parte de mim em você.  

Hoje é dia de você... mas vou para o trabalho.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tinta rubra


Folhas em branco me angustiam
Vivo sempre com essa necessidade
de borrar esta brancura suja
A procura da poesia que não sai de mim
Quisera eu escarrá-la de minha garganta através de meus dedos
Ou deixá-la livre para sair por meus poros
Mas ela me sufoca e não sai de mim

O coração acelera,
O corpo esquenta.
Suor,
pulsos cerrados,
Lábios contraídos.
Mas ela continua a me sufocar
Esse misto de prazer e tortura me atormenta

“Relaxe!
Relaxe! Está quase lá!
Relaxe e deixe que a poesia exploda em você!”

Esta brancura escorregadia,
Tão lisa, tão resvaladia,
continua me afligindo

Uma adrenalina percorre meu ser
Mas ela não penetra essa barreira em meu corpo
Quero sujar essa alvura
Com meu sangue, com minha dor, com meu deleite
Quero limpar minha alma desta branquidão obscena que me cega

“Geme!
Grite!
Novamente, relaxe!
Relaxe e desfrute.
Lambuze-se com seu prazer e com sua dor!”

O sangue começa a escorrer
E é denso e escuro

A tinta vermelha já borrou o papel.

(19/11/2011)