Maldita primavera que me fere dia após dia, tatuando seu nome e sua saudade em mim.
Hoje é como aqueles dias em que estivemos juntos. Um pouco nublado, um pouco ensolarado. Alguns chuviscos vez ou outra.
Mas alguma nuvem cobriu meu céu, tapou meu sol e fez com que todas as horas do dia fossem sempre tarde demais. Não fosse assim, certamente, agora eu estaria deitada em teu colo em um banco de praça em uma dessas quadras do avião. Os pássaros falariam mais alto que nós, morrendo de inveja dos nossos beijos. O vento úmido da primavera espalharia nosso amor e faria florescer mais flores de pólen doce, afrodisíaco para os inocentes beija-flores. E nós dois caminharíamos de mão dadas, por onde quer que fosse, e conversaríamos por eternas breves horas sobre formigas, crianças, estrelas, lugares, máquinas, livros e infinito. Eu entraria no seu universo, afinal, só eu teria a chave, e lá dentro me transformaria. Te transformaria, deixando boa parte de mim em você.
Hoje é dia de você... mas vou para o trabalho.



