quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Hoje é dia de você



Maldita primavera que me fere dia após dia, tatuando seu nome e sua saudade em mim.

Hoje é como aqueles dias em que estivemos juntos. Um pouco nublado, um pouco ensolarado. Alguns chuviscos vez ou outra. 
Mas alguma nuvem cobriu meu céu, tapou meu sol e fez com que todas as horas do dia fossem sempre tarde demais. Não fosse assim, certamente, agora eu estaria deitada em teu colo em um banco de praça em uma dessas quadras do avião. Os pássaros falariam mais alto que nós, morrendo de inveja dos nossos beijos. O vento úmido da primavera espalharia nosso amor e faria florescer mais flores de pólen doce, afrodisíaco para os inocentes beija-flores. E nós dois caminharíamos de mão dadas, por onde quer que fosse, e conversaríamos por eternas breves horas sobre formigas, crianças, estrelas, lugares, máquinas, livros e infinito. Eu entraria no seu universo, afinal, só eu teria a chave, e lá dentro me transformaria. Te transformaria, deixando boa parte de mim em você.  

Hoje é dia de você... mas vou para o trabalho.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tinta rubra


Folhas em branco me angustiam
Vivo sempre com essa necessidade
de borrar esta brancura suja
A procura da poesia que não sai de mim
Quisera eu escarrá-la de minha garganta através de meus dedos
Ou deixá-la livre para sair por meus poros
Mas ela me sufoca e não sai de mim

O coração acelera,
O corpo esquenta.
Suor,
pulsos cerrados,
Lábios contraídos.
Mas ela continua a me sufocar
Esse misto de prazer e tortura me atormenta

“Relaxe!
Relaxe! Está quase lá!
Relaxe e deixe que a poesia exploda em você!”

Esta brancura escorregadia,
Tão lisa, tão resvaladia,
continua me afligindo

Uma adrenalina percorre meu ser
Mas ela não penetra essa barreira em meu corpo
Quero sujar essa alvura
Com meu sangue, com minha dor, com meu deleite
Quero limpar minha alma desta branquidão obscena que me cega

“Geme!
Grite!
Novamente, relaxe!
Relaxe e desfrute.
Lambuze-se com seu prazer e com sua dor!”

O sangue começa a escorrer
E é denso e escuro

A tinta vermelha já borrou o papel.

(19/11/2011)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Novembro sem ti



Esta noite foi você
quem invadiu minha cama,
me tomou nos braços,
me beijou a testa,
 as bochechas,
 o queixo, o pescoço,
... a boca...
Me aninhou em seu corpo,
Sempre quente
E quando dormimos naquele abraço
Eu acordei
Então o frio tomou conta de mim
E a chuva caiu, molhando o vidro da janela
Como as lágrimas que molhavam minha face
E meu coração, mais apertado que nunca,
Desejou que não fosse novembro novamente
Pois o nosso novembro já não é real
Apesar de ser eterno em minha saudade...

(Naiara Luana - 18/11/2011)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mira la Luna, Luana


"¡Mira la luna, Luana!
¿Ves que ha cambiado?"

"La veo tan bella como siempre..."

"No, ella ya no es la misma
¡Ya no es nuestra!
La veo mucho mejor,
con todos sus defectos e imperfecciones
Ella ya no me ilusiona con su belleza
Su brillo ya no es tan intenso,
su hechizo no me hipnotiza más.
Es una pelota gorda en el cielo...

¿Por qué lloras, Luana?"

"Tú, Pablo,
que ahora ves tan bien,
perdiste tanto...
¿De qué te sirve ver mejor
si ya no te fijas?
¿Ya no sabes leer mi mirada?
¿Ya no sabes contestar a mis sonrisas?
¿Para qué te sirve ver la luna con todas sus fallas y hendiduras
si desaprendiste a distinguir las hendiduras y heridas de mi corazón?

Yo, sigo viendo en el cielo
una amiga que fue testigo de nuestro amor
y que abrillantó nuestras noches
como aquella en que nos besamos por primera vez...

Ah, Pablo, ¡qué pena me das!
Pobre de ti
si no puedes ver la perfección misteriosa
que a nosotros nos asiste desde el cielo
Y si no sientes tu corazón lleno de ternura
con tanta hermosura...

Me duele el espíritu
Das un nuevo golpe en mi alma
y es cierto que, ahora que ves tan bien,
¡podrás distinguir la nueva abertura que causaste en mi Luna!
Ella siente mi dolor
Sangra conmigo, llora mis lágrimas...

¡Mira tú la Luna, Pablo!
¿Puedes ver?
Yo, no...
La sigo viendo brillante, resplandeciente
Y ella ilumina tus ojos castaños como antes
y confronta con la divinidad de tu linda sonrisa..."

"Sí, Luana, la veo...
La veo como te veo a ti
llena de imperfecciones, y fallas
Ya no veo su primor, así como no lo veo más en ti
¡Esta luna que me hipnotizaba,
esta luna hechicera que me engañaba,
esta luna...es igual que tú!

Hoy, no la veo más en tus ojos, Luana
Hoy, te miro, pero no te noto,
no te percibo, no te reparo.
Mi mirada ya no va hacia ti,
tus lágrimas ya no me afectan,
la luz de mis ojos no te iluminan...
Mi corazón es noche sin luz"

"No me ves porque, sin ti,
 desaparezco poco a poco...
En este frío noviembre,
en esta dura mirada,
en la noche de tu corazón
dónde mi Luna no brilla más..."

(Naiara Luana 21/11/2011)