sábado, 5 de janeiro de 2013

E se eu me apaixonar por você?



E se eu me apaixonar por você? O que você vai fazer com meu coração?
A gente se cuida, a gente se gosta, a gente passa muito tempo juntos entre conversinhas e conversonas, almoços, lanchinhos, estudos, trabalho... Você faz mais parte dos meus dias que aquele último a quem entreguei meu coração. E você, querendo ou não foi o remédio que curou as feridas deste travesso que bate aqui dentro.
Dizem que para curar um amor, só outro amor, não é? E sim, eu te amo. Você é minha alma gêmea, talvez aquela famosa metade da laranja. A parte que me completa e preenche os vazios de meu ser com belos sorrisos e gostosas gargalhadas.
Não somos mais. Somos amigos, companheiros, colegas, confidentes. Nada mais. Nunca abrimos nossos olhos para enxergar um ao outro. Como poderíamos ir além? Eu nunca tremi ao seu lado, você não me deixa nervosa. Ao contrário, com você eu me sinto tão segura, ainda que muito exposta. Será que pulamos a etapa das borboletas no estômago, das mãos suadas, da vontade de abraçar e beijar?
E se que me apaixonar por você? Sei lá... Tentar convencer meu coração de que você pode ser mais que um remédio. Você poderia ser meu vício. E se a gente se apaixonasse? Assim, reciprocamente mesmo. Você já teve o coração partido, eu também. Eu poderia cuidar do seu, cicatrizar suas feridas e roubá-lo para mim? E você estaria disposto a fazer o mesmo pelo meu? Você deixou tantas coisas boas nas mãos de quem te repudiou, e ainda não as pegou de volta. Eu não gostaria que você me desse essas coisas, pois já não são tão boas e nunca seriam minhas. Viriam com resquícios de desconfiança e insegurança, e com muitos vestígios dela.
 Eu preciso de um porto seguro, lembra? Quero tudo novo, forte e construído em base sólida. Você conseguiria fazer tudo novo comigo? 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O sorriso de Caceres


Ele me tirou para dançar. Eu, como se não conseguisse raciocinar, só conseguia sentir o suor de seu corpo firme, seu cheiro suave e masculino em seu pescoço tão próximo e tentador. Tentei deixar que ele me guiasse na dança, mas certamente meu corpo, sentindo o roçar de suas pernas nas minhas, seu braço em minha cintura, e sua respiração ofegante em meu ouvido, queria ser guiado a outro tipo de dança. Um tango pouco sensual foi o mais próximo que consegui chegar daquele homem que me encantou com seu magnífico sorriso.

Foi o mais bonito que eu já vira em toda minha vida. E tão natural, tão dele... Compunha com perfeição sua face máscula, acompanhando seus olhos castanhos, doces e fiéis. Se eu acreditasse em amor a primeira vista, aquele seria um caso de amor eternamente tórrido e suavemente terno. Sim, certamente ele seria meu amor perene, pois foi a única vez que um sorriso fez meu corpo tremer descontroladamente.

Não perguntem-se, caros leitores, o que foi feito de um amor tão promissor. Este amor só esteve em mim. Foram meros segundos de uma ilusão doce e infiel. Tempo suficiente para apaixonar-me. Também não  tenham pena de mim. Lembrem-se, caros leitores, eu não acredito em amor à primeira vista.

O sorriso que me arrebatou não era meu. Ele nunca dedicou a mim seus olhares, seus sorrisos, seus beijos ou qualquer mínimo sinal. Mas, como um egoísta, roubou de mim muitos  gestos e até mesmo alguns sonhos. E como se não bastasse, roubou um pouco de minha alma de poeta, quando pediu que eu me dedicasse a por em papel um pouco dela consagrada a ele.

E aqui estou, Pablo. Se você se une a esta corja de leitores meus, me dedica um pouco de sua fidelidade, e com isso me dou por satisfeita. Saiba que ainda estou pensando em você. Não porque alimento por você algum amor platônico, mas porque ainda tenho meu corpo tremulo com a mera lembrança daquela dança. E porque desejo bem muito ver novamente um sorriso como o seu, só que desta vez, que este seja também meu...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Títere


Meu sorriso é assim, desbotado, como o de uma criança que ganha um brinquedo ao invés daquele com o qual sonhava. É quase falso.
Não sou criança, porém. A inocência encontrada em mim em outros tempos, em outros tempos também já se fez rocha e endureceu meus sonhos. Por isso um sorriso amortecido, um olhar distante, um semblante triste compõem minha face ainda imatura. Porque a vida não me trouxe os brinquedos que eu quis. Tampouco os amores que meu coração desejou. Quis, eu, ser protagonista de minhas histórias... Mas eu me fiz brinquedo, títere, passatempo nas mãos da Vida, e agora, ela já cansada de mim, abandona-me em um canto.
Eu ainda sorrio. Este sorriso desbotado e frio... Mas sorrio, com esperanças de que ela volte a ver-me como peça importante deste teatro vão.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sem contra indicações


Os olhos são o ralo por onde escorrem as sujeiras da alma. Mantenha sua alma lavada.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Rotina



Ela acordou angustiada, com aquela já tão conhecida vontade de tudo o que não tinha mais. Todos os dias, depois de acordar e antes de dormir, ela quase inconscientemente levava seus pensamentos a ele. Como ele estaria? O que ele estaria fazendo? Será que ele ainda se lembrava dela? Ele já teria encontrado uma louca mais louca que ela para preencher seu coração? Ele estaria feliz? Será que ele ainda a amava?

Todos os dias ela acordava e antes mesmo de ver as horas, olhava desesperadamente o celular, na iludida esperança de ver uma mensagem dele na tela. Uma mensagem como aquelas que ele enviava antes, desejando bons dias e com letras de amor. E ao ver, dia após dia, o vazio do nome dele naquela pequena tela, ela fazia uma oração silenciosa, desejando profundamente que ele estivesse bem, mais feliz do que ela nunca vira, mostrando aos sortudos que estariam a volta dele aquele sorriso que ela ama, e que antes fora dela.

Este dia não foi diferente. Ela olhou para sua cama, abraçou seu travesseiro, cheirou seu edredom. Procurou rastros dele, mas ali não havia nenhum. Só suas lembranças alimentavam a presença dele ali. Em poucos dias faria um ano que ele estivera em seu quarto. A primeira e única vez em que estiveram os dois naquele lugar que é tão dela, prestes a se amar.

Ela lembrava de tudo com exatidão. ..."mi vidi"..."Croissanterie"..."Chez Fondue"..."Toujours"...
Pensar em como tanta coisa aconteceu tão rápido e em tão pouco tempo a assustava. E hoje ela olhava pela janela e observava a chuva. A chuva que os banhou, fez com que eles se beijassem, fez com que eles se escondessem, fez com que eles se amassem. E era ainda mais assustador ver que nada daquilo estava acontecendo... há quase um ano. Hoje a chuva era só mais um sinal de que nada voltaria a ser como antes. Nem as mensagens, nem telefonemas. Nem um toque, nem um beijo, nem o carro. E tudo o que ainda existia deles estava vazio. O cheiro dele não estava ali naquela cama, nem naquele travesseiro, nem naquele edredom. Ele não estava ali.

Ela continuaria se perguntando diariamente sobre ele sem obter respostas, pensando no que eles poderiam ter sido sem a distância de tempo e espaço que este ano trouxe. E ao ver que nem o sol, nem a chuva trariam seu amor, voltou sozinha para o aconchego de seu edredom, sentiu o cheiro dele, não porque estava ali, mas porque sua memória lhe dava este presente. E chorou enquanto o dia passava.