sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tinta rubra


Folhas em branco me angustiam
Vivo sempre com essa necessidade
de borrar esta brancura suja
A procura da poesia que não sai de mim
Quisera eu escarrá-la de minha garganta através de meus dedos
Ou deixá-la livre para sair por meus poros
Mas ela me sufoca e não sai de mim

O coração acelera,
O corpo esquenta.
Suor,
pulsos cerrados,
Lábios contraídos.
Mas ela continua a me sufocar
Esse misto de prazer e tortura me atormenta

“Relaxe!
Relaxe! Está quase lá!
Relaxe e deixe que a poesia exploda em você!”

Esta brancura escorregadia,
Tão lisa, tão resvaladia,
continua me afligindo

Uma adrenalina percorre meu ser
Mas ela não penetra essa barreira em meu corpo
Quero sujar essa alvura
Com meu sangue, com minha dor, com meu deleite
Quero limpar minha alma desta branquidão obscena que me cega

“Geme!
Grite!
Novamente, relaxe!
Relaxe e desfrute.
Lambuze-se com seu prazer e com sua dor!”

O sangue começa a escorrer
E é denso e escuro

A tinta vermelha já borrou o papel.

(19/11/2011)

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