segunda-feira, 16 de julho de 2012

O sorriso de Caceres


Ele me tirou para dançar. Eu, como se não conseguisse raciocinar, só conseguia sentir o suor de seu corpo firme, seu cheiro suave e masculino em seu pescoço tão próximo e tentador. Tentei deixar que ele me guiasse na dança, mas certamente meu corpo, sentindo o roçar de suas pernas nas minhas, seu braço em minha cintura, e sua respiração ofegante em meu ouvido, queria ser guiado a outro tipo de dança. Um tango pouco sensual foi o mais próximo que consegui chegar daquele homem que me encantou com seu magnífico sorriso.

Foi o mais bonito que eu já vira em toda minha vida. E tão natural, tão dele... Compunha com perfeição sua face máscula, acompanhando seus olhos castanhos, doces e fiéis. Se eu acreditasse em amor a primeira vista, aquele seria um caso de amor eternamente tórrido e suavemente terno. Sim, certamente ele seria meu amor perene, pois foi a única vez que um sorriso fez meu corpo tremer descontroladamente.

Não perguntem-se, caros leitores, o que foi feito de um amor tão promissor. Este amor só esteve em mim. Foram meros segundos de uma ilusão doce e infiel. Tempo suficiente para apaixonar-me. Também não  tenham pena de mim. Lembrem-se, caros leitores, eu não acredito em amor à primeira vista.

O sorriso que me arrebatou não era meu. Ele nunca dedicou a mim seus olhares, seus sorrisos, seus beijos ou qualquer mínimo sinal. Mas, como um egoísta, roubou de mim muitos  gestos e até mesmo alguns sonhos. E como se não bastasse, roubou um pouco de minha alma de poeta, quando pediu que eu me dedicasse a por em papel um pouco dela consagrada a ele.

E aqui estou, Pablo. Se você se une a esta corja de leitores meus, me dedica um pouco de sua fidelidade, e com isso me dou por satisfeita. Saiba que ainda estou pensando em você. Não porque alimento por você algum amor platônico, mas porque ainda tenho meu corpo tremulo com a mera lembrança daquela dança. E porque desejo bem muito ver novamente um sorriso como o seu, só que desta vez, que este seja também meu...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Títere


Meu sorriso é assim, desbotado, como o de uma criança que ganha um brinquedo ao invés daquele com o qual sonhava. É quase falso.
Não sou criança, porém. A inocência encontrada em mim em outros tempos, em outros tempos também já se fez rocha e endureceu meus sonhos. Por isso um sorriso amortecido, um olhar distante, um semblante triste compõem minha face ainda imatura. Porque a vida não me trouxe os brinquedos que eu quis. Tampouco os amores que meu coração desejou. Quis, eu, ser protagonista de minhas histórias... Mas eu me fiz brinquedo, títere, passatempo nas mãos da Vida, e agora, ela já cansada de mim, abandona-me em um canto.
Eu ainda sorrio. Este sorriso desbotado e frio... Mas sorrio, com esperanças de que ela volte a ver-me como peça importante deste teatro vão.